Se depender do senador Gerson Camata (PMDB-ES), e de um certo estudo que ele virá a sugerir, a obrigatoriedade do uso de terno e gravata nas dependências do Congresso está com os dias contados. O parlamentar capixaba quer trazer ao Parlamento a experiência da Organização das Nações Unidas (ONU), que, na sua sede em Nova York, aboliu a obrigatoriedade do traje para manter aparelhos de ar condicionado funcionando em temperaturas menos frias – e, conseqüentemente, economizar energia elétrica e reduzir a emissão de poluentes como gás carbônico (CO²).
“Eles [os funcionários da ONU] fizeram uma experiência de um mês por lá. Aumentaram a temperatura dos aparelhos de ar condicionado de 19 graus para 24 graus”, disse Camata, informando que espera o resultado desse estudo da entidade para apresentá-lo à Mesa Diretora do Senado.
“Isso economiza muita energia elétrica, porque diminui a emissão de poluentes”, completou o senador, dizendo que a experiência da ONU revelou uma redução de 300 metros cúbicos diários na emissão de CO². Camata adiantou que, com base nos dados que receberá formalmente da ONU, vai sugerir à Mesa um estudo sobre quanto Câmara e Senado economizariam caso fossem aumentadas as temperaturas dos aparelhos de ar condicionado em 5 graus, durante em um mês.
A despeito das implicações ecológicas e mesmo às referentes ao bem-estar masculino, já há quem estranhe a idéia de Gerson Camata. “[O uso de terno e gravata] é uma convenção cultural, uma lei não escrita”, disse a senadora Marisa Serrano, que costuma freqüentar elegantemente as dependências do Congresso – o mesmo que não consegue imaginar informalmente. “É estranho a gente ter parlamentares sem terno e gravata.” (Fábio Góis/Congresso em Foco)






